A Cidade

A cidade de Conquista, localizada no Triângulo Mineiro, nasceu com as expedições que no início do Século XIX vieram explorar a região. As terras que formam o município foram doadas ao português Manoel Bernardes Nazianzeno da Silveira. Elas passaram por vários donos e, em 1888, o Coronel Francisco Meireles do Carmo aqui se instalou, criando um armazém para fornecer mercadorias aos trabalhadores que construíam a estrada de ferro Mogiana. Em 1894, o Dr. Crispiniano Tavares baiano de Ilhéus, fez a planta do povoado, traçando e demarcando as ruas. Conquista tornou-se distrito de Sacramento em 1892, desmembrando-se do mesmo em 1911, consoante a divisão administrativa do Brasil.

Origem do nome da cidade de Conquista

Existem três versões sobre a origem da denominação do nome da cidade de Conquista:

- A primeira oriunda do fato de lhe ter sido dado o nome por Domingos Vilela de Andrade, coronel, fazendeiro, latifundiário, nascido em Monte Alegre, (MG). Procedente de Ribeirão Preto, SP, onde era grande produtor de café, Vilela adquiriu uma gleba de terras na margem direita do Rio Grande, onde construiu a sede da fazenda denominada, segundo alguns, de Fazenda Conquista.

- A segunda, pelo seu sucesso ao conquistar a sua independência de Sacramento; a meu ver a mais remota das três, pois o desmembramento de Sacramento se deu em 1911; o Distrito de Conquista, porém, já existia e foi criado, como pertencente ao termo de Sacramento, pela Lei Municipal nº. 07 de 23 de novembro de 1892, ratificada pela Lei nº. 88 de 10 de setembro de 1901. Portanto, o Distrito com o nome Conquista já existia dezenove anos antes que o mesmo fosse transformado em Município.

- A terceira, a meu juízo, é a mais lógica; segundo consta, o nome Conquista foi dado em homenagem ao sertanista e engenheiro Dr. Crispiniano Tavares, um baiano filho de Ilhéus, que meticulosamente fez o traçado e projeto urbanístico da cidade com avenidas largas e retilíneas. Tal empreendimento se deu em razão do mesmo ter sido contratado pelos coronéis Domingos Vilela de Andrade e Antônio Alves da Silva, então, grandes proprietários de terras, sendo que, ao término dos trabalhos, doutor Crispiniano auferiu, além dos seus honorários, o direito de registrar na legenda do projeto urbanístico a denominação de Cidade como Conquista. Isto se deu logicamente em homenagem á uma cidade baiana por nome Vitória da Conquista – BA. Se faz míster e importante afirmar que, nessa época, existia no município recém criado uma leva muito grande de baianos oriundos dessa cidade os quais, fugindo da seca, vieram trabalhar nas lavouras de arroz e café, bem como na construção da estrada de ferro Mogiana. Supostamente, o grande fluxo de hóspedes flutuantes que vieram da Bahia facilitou a escolha, aceitação e principalmente a difusão do nome Conquista.

O Coronel Domingos Vilela de Andrade é considerado o fundador de Conquista, embora haja um seleto grupo que discorda desse atributo, pois atribuem tal feito ao grande benemérito da cidade o Cel. Antônio Alves da Silva. O seu primeiro Prefeito (Agente Executivo) de Conquista foi o Coronel Tancredo França. Durante algum tempo, o município viveu crescimento econômico acelerado. Dois fatores foram marcantes para isso: a construção da estrada de ferro Mogiana e a chegada de italianos, libaneses, árabes, portugueses, japoneses, e os baianos oriundos das cidades de Vitória da Conquista e Bom Jesus da Lapa. Esses imigrantes marcaram presença na história do município, seja pelos belos casarões da época seja pelos nomes e sobrenomes das tradicionais famílias de Conquista. Aqui, se déssemos a palavra ao Dr. Filipe Caramori, assistiríamos à dramática encenação da chegada deste povo tenaz e laborioso. Isso seria bom, pois talvez ninguém mais duvidasse de que foram eles que trouxeram na sua bagagem os conhecimentos, a cultura, culinária e costumes do velho continente.

A cidade preserva também tradições e costumes da cultura da Bahia, principalmente quanto à religiosidade. Isso aconteceu com a vinda de trabalhadores daquele Estado que trouxeram para Conquista o culto ao Senhor Bom Jesus da Lapa, a réplica de cuja imagem foi trazida em 1903 pelo senhor Francisco Félix Tavares e colocada na antiga igrejinha, em 1927 a imagem foi trasladada para a nova Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, onde é festejada todos os anos, no dia 06 de agosto; sendo que em 2003 esta tradicional festa e celebração religiosa completou 100 anos. Porém, a padroeira da cidade é Nossa Senhora de Lourdes; seus festejos são comemorados com júbilos e deleite de fé cristã em 11 de fevereiro de cada ano.

Em 1911, o antigo distrito é elevado a Vila da Conquista com a criação do município, desmembrado de Sacramento. Tal fato representa um marco na evolução da cidade, que experimenta na segunda década do século passado o seu apogeu mantinha consulados estrangeiros, correspondentes de bancos estrangeiros, concessionárias Ford e GM e um intenso movimento comercial, chegando a exportar, entre outros produtos, gado, muito café e principalmente arroz, e chegando a ostentar o título de maior produtor de arroz do Estado de Minas Gerais.

Na cidade são introduzidos diversos melhoramentos urbanos. No final da década de 20 são construídos novos edifícios públicos e religiosos, merecendo destaque entre eles o paço Municipal, a Cadeia Pública, o Grupo Escolar, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes e o Fórum. As residências espelham o progresso que o município experimenta. Suas composições são, ora derivadas do antigo padrão colonial, ora derivadas dos modelos neoclássicos, ou ainda afeitas ao gosto francês pelo ecletismo. Geralmente são casas de um pavimento, raramente se desdobrando em sobrados, mas adotando muitas vezes o porão alteado típico da segunda metade do século XIX.

Quanto aos edifícios públicos e comerciais, a linguagem arquitetônica empregada não foge às regras adotadas em todo o país no período. Para igrejas, os modelos neogóticos ou neo-românicos; para prédios públicos, a severidade do neoclássico, com robustas colunas da ordem colossal, a exemplo do edifício do Fórum.

Nos estabelecimentos fabris e comerciais são adotados os recursos das platibandas movimentadas, cornijas e elementos decorativos em massa e ferro. Hoje, muitos lustros são passados. A hospitalidade ainda é marca registrada do povo conquistense; a cidade ainda preserva qualidade de vida invejável; quem aqui aporta jamais quer sair; as suas ruas e avenidas largas e retilíneas tornam a cidade um ambiente agradável, salubre e bom para se viver.

Conquista Hoje

Quem visita Conquista, encanta-se com o aspecto urbanístico da cidade. Com avenidas largas e retilíneas e um casario preservando a cidade apresenta ambiente cenográfico, tanto que, tornou-se cenário da novela O Cometa da Rede Bandeirantes de Televisão e serviu para inspiração da filha ilustre e escritora maior Janete Clair na novela “O Astro”, onde o personagem Salomão Ayala retratou o perfil do seu próprio pai Sallim Emmer, que foi por muitos anos próspero comerciante no ramo de tecidos aqui na cidade de Conquista. Além disso, a novela da Rede Globo de Televisão “Vila dos Confins” do escritor Mário Palmério, relata a saga dos primeiros habitantes colonizadores do Sertão da Farinha Podre trazendo relatos e aspectos do relevo geográfico do município de Conquista. Visitando Conquista o turista perceberá facilmente que a cidade possui qualidade de vida invejável tornando-se um lugar bom para se visitar e viver. É neste ambiente aprazível vive população. A cidade em geral é bem tranqüila e bastante arborizada. A violência é quase inexistente e o número de delitos é baixíssimo. A qualidade de vida dos conquistenses é altamente satisfatória. 

Diagnósticos, estudos e levantamentos apontam sua forte vocação para o turismo, fator importante que, num furo bem próximo, será a redenção econômica e social com geração de emprego e renda aos seus munícipes. 

Com uma geografia e relevo favorável, fazendas centenárias com sedes imponentes, capelas rurais, cachoeiras, quatro estações ferroviárias, um largo artificial que conta com 48 quilômetros de margem, inclusive, com acesso público. 

Tudo isso, nos direciona para as diversas atividades ligadas ao setor. Mesmo incipiente, já são desenvolvidas atividades nas áreas de turismo rural, de agro-negócio, contemplação, ecológico, enófilo, de alambiques, de aventura, religioso, histórico, de esportes náuticos e de lazer, dentre outros.


Pesquisa realizada pelo Assistente de Comunicação
Libório Leal
Jornalista
MTB/DRT/MG 11.400JP

Transparência na Camara de Conquista